3) O suporte digital favorece a distração, que é inimiga da aprendizagem. O dispositivo onde as crianças têm os livros por onde devem estudar é o mesmo onde estão os jogos e redes sociais, que comprovadamente causam dependência. Não podemos esperar das crianças uma autorregulação e disciplina que as afaste da óbvia e inevitável distração, sobretudo em casa;

Neuroscientists, ophthalmologists, psychologists and teachers recommend reducing screen exposure time, but the School is increasing it exponentially with the “digital transition”. UNESCO warned that the impact of learning digitally may have more harm than good, arguing that "not all changes are synonymous with progress" and that "the positive impact of learning digitally may have been exaggerated", with no evidence that technology in classrooms adds value to learning.


  • Date:12/07/2023 07:00 AM
  • Location Online Event

Description

- Transição Digital -

Documentários Importantes: 

https://www.rtp.pt/play/p12721/singapura-cidade-perfeita-ou-estado-de-vigilancia-distopico

"The Great Awakening" - "O Grande Despertar" Legendado: https://www.bitchute.com/video/yn61MCCg6MUz/

Petição contra a excessiva digitalização no ensino e a massificação dos manuais escolares digitais


https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT118968


Petição/ abaixo assinado pelo fim imediato do projeto-piloto Manuais Digitais do ME nas escolas integrantes do projeto e pela continuidade dos manuais em papel em todas as escolas portuguesas. Por uma educação de qualidade, com os recursos comprovadamente mais saudáveis e eficazes para todas as crianças.

O excesso de tempo que as crianças e adolescentes passam em frente a ecrãs é uma realidade preocupante nos países desenvolvidos. A um aumento exponencial dos problemas de visão, sobretudo da miopia, que está a aparecer em idades cada vez mais jovens, juntam-se vários outros problemas de saúde (como a obesidade), relacionados com a falta de atividade física, essencial ao desenvolvimento e crescimento saudável.

Ao contrário do que se chegou a pensar, a profusão de ecrãs (smartphones, tablets, computadores) está longe de melhorar as aptidões das novas gerações. Verifica-se precisamente o oposto: além das pesadas consequências ao nível da saúde física, também a saúde mental é seriamente afetada. Temos atualmente crianças e adolescentes menos empáticos, com pouca tolerância à frustração, mais agressivos, havendo também um aumento da sua sensação de mal-estar, a fazer disparar a prevalência de casos de ansiedade e depressão.

Argumentos muito utilizados de que os ecrãs são recursos que crianças e adolescentes vão precisar para progredir, para não ficarem para trás na sociedade atual são falaciosos, pois a infância e adolescência são etapas de desenvolvimento em que são muito mais importantes as oportunidades de desenvolver os próprios recursos, que os recursos externos.

Está atualmente em curso o projeto-piloto Manuais Digitais do ME, que visa a substituição dos manuais escolares (suporte papel) por computadores e tablets (suporte digital). Este projeto foi imposto a crianças já altamente penalizadas devido à pandemia e confinamentos, em que o ensino à distância deixou manifestamente profundas lacunas nas aprendizagens. Professores, pais e alunos do 3º ao 12º ano, de 160 escolas-piloto, sem nunca terem sido auscultados, veem-se dentro de um projeto que a ciência unanimemente indica apresentar mais desvantagens do que vantagens, nomeadamente:

1) Todos os estudos científicos convergem na evidência da superioridade do papel e da escrita nas aprendizagens e advertem para as consequências como a menor capacidade de leitura desenvolvida e retenção de conhecimento adquirido/memorização através dos ecrãs;

2) As crianças pequenas são as mais penalizadas. Nos primeiros anos de aprendizagem precisam de treinar a caligrafia e a motricidade fina. O uso excessivo do digital pode interferir no desenvolvimento cerebral normal, afetando a atenção, a memória, assim como as suas capacidades de comunicação. A hiperestimulação dos ecrãs prejudica a concentração quando esta é requerida em atividades mais exigentes;

3) O suporte digital favorece a distração, que é inimiga da aprendizagem. O dispositivo onde as crianças têm os livros por onde devem estudar é o mesmo onde estão os jogos e redes sociais, que comprovadamente causam dependência. Não podemos esperar das crianças uma autorregulação e disciplina que as afaste da óbvia e inevitável distração, sobretudo em casa;

4) O uso do digital potencia a navegação online sem supervisão, expondo crianças a conteúdos e sites inapropriados para a sua idade e colocando-as em risco nas redes digitais. Com este projeto-piloto, o acesso à internet deixa de ser uma opção dos pais e passa a ser obrigatório em crianças logo a partir dos 7/8 anos;

5) A Suécia, e não só, com base em inúmeros estudos decidiu, de forma veemente, que a escola deveria voltar ao suporte papel, em detrimento do suporte digital que funcionava, há vários anos, em exclusividade. A razão de tal inversão ficou a dever-se ao facto de se registar um défice expressivo na leitura e na escrita dos alunos. Em 2023, o governo sueco, reprovando a atitude acrítica que tende a aceitar a tecnologia de forma benevolente e positiva, independentemente do conteúdo e das suas implicações, reintroduziu livros em papel em todo o sistema de ensino.

Os maus resultados na Suécia, obtidos após 15 anos de experiência no digital não foram suficientes para travar o projeto-piloto português, que continua a ter como cobaias 21 260 alunos. Muitas crianças, embora desconheçam as consequências nefastas desta experiência no seu futuro, curiosamente revelam desagrado com o abandono dos livros, tal como os seus encarregados de educação.

A operacionalização deste projeto na Escola Pública portuguesa revela-se difícil. O equipamento utlizado (computadores, hotspots) não corresponde à exigência do projeto, frequentemente não se consegue aceder à net, a velocidade de ligação é lenta, os recursos não funcionam, o que é feito online não fica gravado, etc. Por conseguinte, perde-se demasiado tempo com estas situações e o tempo de aula não é aproveitado devidamente.
Quando há problemas nos computadores das crianças, são poucos os técnicos de informática nas escolas para os resolver, o que faz com que o aluno possa estar meses sem computador. A empresa que fornece os computadores não presta qualquer apoio técnico, as escolas não têm verbas para os reparar e os custos acabam por ser cobrados aos pais.

Os encarregados de educação e os alunos foram chamados a avaliar o projeto-piloto através de questionários no final dos vários anos letivos em que a “experiência” já decorreu, mas até hoje esses resultados nunca foram divulgados.

Com base nos aspetos referidos, e não encontrando motivos pedagógicos nem de saúde, nem ecológicos (basta comparar a percentagem de material reciclável que existe num livro e num portátil ou a pegada ecológica de cada um) para esta mudança, questionamos o porquê destas medidas de transição digital, sem qualquer base científica que as valide.

Neurocientistas, oftalmologistas, psicólogos e professores recomendam a redução do tempo de exposição a ecrãs, mas a Escola está a aumentá-lo exponencialmente com a “transição digital”. A Unesco fez o alerta que o impacto de aprender no digital pode ter mais malefícios que benefícios, defendendo que "nem todas as mudanças são sinónimo de progresso" e que "o impacto positivo de aprender no digital pode ter sido exagerado", não havendo evidência de que a tecnologia nas salas de aula acrescente valor à aprendizagem. Afirma ainda que a maior parte dos estudos que apontam nesse sentido são financiados por empresas privadas de educação a tentar vender produtos digitais, o que "gera preocupação". A Escola Pública, permeável a lobbies da indústria tecnológica e aos interesses económicos de influentes editoras (para as quais é mais lucrativo produzir manuais digitais do que livros impressos) segue o caminho da imposição dos ecrãs, ignorando todos os apelos.

Segundo o artigo 74º da nossa Constituição "Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar". Este projeto-piloto cria profundas desigualdades nas aprendizagens, o que viola esse direito. Em particular o Presidente da República, nos termos do juramento que presta no seu ato de posse de "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa" não pode ficar indiferente a esta questão.

Em conclusão:
Milhares de crianças já desde o 1º ciclo estão a ser privadas de manuais em papel, substituindo-os por versão digital. Médicos advertem que a esmagadora maioria das crianças e jovens já passa demasiado tempo à frente de ecrãs com as inerentes consequências no comportamento e saúde. Esta alteração agrava este problema. Não há estudos que demonstrem as vantagens desta alteração para o digital, mas avançou-se para esta “experiência”, com os nossos filhos como cobaias. Países com experiência de longos anos no digital recuaram e reintroduziram os livros em papel em todo o sistema de ensino.

Os cidadãos abaixo assinados consideram inaceitável a continuação do projeto-piloto Manuais Digitais do ME e solicitam, com urgência, o seu término, de forma a minimizar os danos nas aprendizagens das crianças abrangidas, não comprometendo o futuro de uma geração de alunos e cidadãos.

Consideramos que os recursos tecnológicos devem ser usados em espaço de aprendizagem específico, e.g. a disciplina de TIC e OD, ou como complemento à aprendizagem nas restantes disciplinas. Somos a favor do progresso mas contra o retrocesso intelectual e de saúde provocado pelo uso excessivo da tecnologia.


REFERÊNCIAS:
Bastos, J.P. (2023/09/29). O que não veem os nossos olhos. Expresso

Carvalho Pereira, R. (2023/07/26). Unesco pede que telemóveis sejam banidos nas escolas. TSF.

Cortez, A.C. (2023/04/16). O digital no ensino: uma fábrica de cretinos. Diário de Notícias.

Coutinho, I. (2023/09/12). Eficácia dos manuais digitais começa a ser questionada e há países a recuar. Público.

Desmurget, M. (2021). A fábrica de cretinos digitais. Contraponto Editores. 368 pp.

Inácio, A. (2023/11/7). Escolas sem verbas para reparar portáteis avariados. Jornal de Notícias.

Lusa/DN (2020/09/15). Alunos continuam a preferir manuais em papel. Diário de Notícias.

Laranjo, F. (2023/06/19). Regresso ao futuro da escola: dos ecrãs aos livros. Público.

Mendes, M. (2023/09/23). As portas que se fecham, quando os ecrãs são a única janela. Diário as beiras.

Nunes, L.P. (2023/09/29). Pseudopornografia e órfãos digitais. Expresso

Pestana, A. (2023/08/24). O futuro da Escola Pública depende de todos nós. Público

Soares, C. (2023/09/24). Foi um erro dar tecnologia às crianças em idade precoces e, mais tarde, deixá-la entrar na sala de aula sem perguntar à indústria se essas ferramentas fazem sentido e se têm efeitos colaterais. Revista Visão.

UNESCO (2023/07/26) Smartphones in school? Only when they clearly support learning.

Valente, C. (2023/09/19). Professores e alunos querem recuo nos manuais digitais. Diário de Notícias.

Vieira, M. C. (2023/10/17). Escolas, papel e digital: a triste sina das más imitações portuguesas. Público.

Villar, F. (2023). Como las pantallas devoran a nuestros hijos. Herder Editorial. 152 pp.